O Mercado de Belmonte é Kosher

É bem conhecida a influência e presença judaica na região, com algumas terras a destacarem-se como é o caso de Trancoso, Guarda e, claro está, Belmonte, esta última considerada a única comunidade peninsular herdeira legitima da antiga presença histórica dos judeus Sefarditas.

Durante toda a época da inquisição conseguiu preservar muitos dos seus ritos, orações e relações sociais, apesar da pressão para a diluição na sociedade católica portuguesa, muitos dos belmontenses cristãos-novos continuaram a casar-se apenas entre si durante séculos.

É reconhecida oficialmente este comunidade já em 1989 e inaugura a sua sinagoga em 1996, precisamente numa das ruas da antiga judiaria. Em Belmonte existe, igualmente, um cemitério judaico e um Museu que retrata a história da presença Sefardita em Portugal, seus usos e costumes e que integra um memorial sobre as últimas vitimas da inquisição.

Existe uma Rede de Judiarias de Portugal, as Rotas de Sefarad, uma associação que procura defender o património urbanístico, arquitectónico, ambiental, histórico e cultural, relacionado com a herança judaica no país. Esta Rede é constituída por 30 municípios, a sua maioria concentrados na região da Beira Interior.

Belmonte orgulha-se e abraça esta cultura encarando-a, igualmente, como uma boa forma de promover o seu território, cultura e tradições, sendo um dos municípios que mais impulsiona a cultura judaica em Portugal.

Possui uma Sinagoga, um Museu dedicado à herança Sefardita e, muito em breve abrirá um Hotel 100% Kosher, o Hotel Monte Sinai, de três estrelas que terá todas as condições especificas para a comunidade “Kosher”, nomeadamente no que toca à gastronomia.

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E também na gastronomia que Belmonte aposta quando divulga a cultura Sefardita promovendo alguns eventos como o que vai decorrer já neste fim-de-semana. O Mercado Kosher que vai na sua quinta edição, realiza-se no domingo dia 13 de setembro e vai dar a oportunidade aos visitantes de adquirirem e ficarem a conhecer as especificidades da gastronomia Judaica que obedece a algumas regras.

O termo Kosher ou Kasher refere-se a alimentos que foram preparados de acordo com as leis judaicas, puramente espirituais, da alimentação e que têm origens bíblicas. Entre as carnes de animais terrestres poderão ser Kosher apenas as provenientes de animais ruminantes com casco totalmente fendido, que demonstra que não podem agarrar presas com as patas, sendo as mais consumidas as de boi e carneiro.

O porco, embora tenha o casco fendido, não é ruminante daí não ser Kosher, assim como a maioria do animais terrestres.

Entre as aves podem ser consumidas as domésticas como a galinha, peru, ganso e pato, mas nunca as selvagens e de rapina.

Estes animais só podem ser abatidos conforme os preceitos da religião, ou seja, sem que o abate cause sofrimento. As carnes devem ser inspecionadas quanto a doenças e imperfeições internas, passando depois por um processo no qual são salgadas e ficam de “molho” até que todo o seu sangue seja removido.

A proibição de comer sangue estende-se também aos ovos, que devem ser cuidadosamente verificados antes do consumo a fim de se assegurar a inexistência de manchas de sangue na clara ou gema.

Os vegetais podem ser consumidos desde que passem por um rigoroso processo de higienização, garantindo que não existem insetos.

A certificação de produtos Kosher passa pela colocação de um selo específico na embalagem e podem ser consumidos alimentos industrializados desde que exista essa indicação de certificação Kosher. Nestes casos, aditivos como óleos e temperos também devem ser verificados. Há ainda outras regras como a combinação de alimentos, já que não se devem juntar carnes com ovos, leite ou derivados.

Em Belmonte, neste domingo, poderão ficar conhecer esta cultura no Mercado Kosher que decorrerá no Largo do Castelo e que conta com um programa animado onde não faltará a música, arte e teatro.

O contributo dos judeus portugueses para a história do mundo foi enorme, desde a ciência náutica que há mais de 500 anos deu ao país um avanço decisivo para o início da globalização, à evolução da economia mundial e da medicina, muitos foram os sectores em que o papel dos sefarditas nacionais se tornou preponderante.

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