O Mercado de Belmonte é Kosher

É bem conhecida a influência e presença judaica na região, com algumas terras a destacarem-se como é o caso de Trancoso, Guarda e, claro está, Belmonte, esta última considerada a única comunidade peninsular herdeira legitima da antiga presença histórica dos judeus Sefarditas.

Durante toda a época da inquisição conseguiu preservar muitos dos seus ritos, orações e relações sociais, apesar da pressão para a diluição na sociedade católica portuguesa, muitos dos belmontenses cristãos-novos continuaram a casar-se apenas entre si durante séculos.

É reconhecida oficialmente este comunidade já em 1989 e inaugura a sua sinagoga em 1996, precisamente numa das ruas da antiga judiaria. Em Belmonte existe, igualmente, um cemitério judaico e um Museu que retrata a história da presença Sefardita em Portugal, seus usos e costumes e que integra um memorial sobre as últimas vitimas da inquisição.

Existe uma Rede de Judiarias de Portugal, as Rotas de Sefarad, uma associação que procura defender o património urbanístico, arquitectónico, ambiental, histórico e cultural, relacionado com a herança judaica no país. Esta Rede é constituída por 30 municípios, a sua maioria concentrados na região da Beira Interior.

Belmonte orgulha-se e abraça esta cultura encarando-a, igualmente, como uma boa forma de promover o seu território, cultura e tradições, sendo um dos municípios que mais impulsiona a cultura judaica em Portugal.

Possui uma Sinagoga, um Museu dedicado à herança Sefardita e, muito em breve abrirá um Hotel 100% Kosher, o Hotel Monte Sinai, de três estrelas que terá todas as condições especificas para a comunidade “Kosher”, nomeadamente no que toca à gastronomia.

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E também na gastronomia que Belmonte aposta quando divulga a cultura Sefardita promovendo alguns eventos como o que vai decorrer já neste fim-de-semana. O Mercado Kosher que vai na sua quinta edição, realiza-se no domingo dia 13 de setembro e vai dar a oportunidade aos visitantes de adquirirem e ficarem a conhecer as especificidades da gastronomia Judaica que obedece a algumas regras.

O termo Kosher ou Kasher refere-se a alimentos que foram preparados de acordo com as leis judaicas, puramente espirituais, da alimentação e que têm origens bíblicas. Entre as carnes de animais terrestres poderão ser Kosher apenas as provenientes de animais ruminantes com casco totalmente fendido, que demonstra que não podem agarrar presas com as patas, sendo as mais consumidas as de boi e carneiro.

O porco, embora tenha o casco fendido, não é ruminante daí não ser Kosher, assim como a maioria do animais terrestres.

Entre as aves podem ser consumidas as domésticas como a galinha, peru, ganso e pato, mas nunca as selvagens e de rapina.

Estes animais só podem ser abatidos conforme os preceitos da religião, ou seja, sem que o abate cause sofrimento. As carnes devem ser inspecionadas quanto a doenças e imperfeições internas, passando depois por um processo no qual são salgadas e ficam de “molho” até que todo o seu sangue seja removido.

A proibição de comer sangue estende-se também aos ovos, que devem ser cuidadosamente verificados antes do consumo a fim de se assegurar a inexistência de manchas de sangue na clara ou gema.

Os vegetais podem ser consumidos desde que passem por um rigoroso processo de higienização, garantindo que não existem insetos.

A certificação de produtos Kosher passa pela colocação de um selo específico na embalagem e podem ser consumidos alimentos industrializados desde que exista essa indicação de certificação Kosher. Nestes casos, aditivos como óleos e temperos também devem ser verificados. Há ainda outras regras como a combinação de alimentos, já que não se devem juntar carnes com ovos, leite ou derivados.

Em Belmonte, neste domingo, poderão ficar conhecer esta cultura no Mercado Kosher que decorrerá no Largo do Castelo e que conta com um programa animado onde não faltará a música, arte e teatro.

O contributo dos judeus portugueses para a história do mundo foi enorme, desde a ciência náutica que há mais de 500 anos deu ao país um avanço decisivo para o início da globalização, à evolução da economia mundial e da medicina, muitos foram os sectores em que o papel dos sefarditas nacionais se tornou preponderante.

Fotografia, a diversidade por trás da lente

Já são conhecidos os vencedores do concurso de fotografia promovido pelo Centro de Estudos Ibéricos da Guarda.

O concurso, intitulado “Transversalidades 2015. Fotografia sem Fronteiras” contou com mais de 1700 fotografias numa competição internacional que recorre à imagem como meio para promover a cooperação territorial, privilegiando o valor estético, documental e pedagógico da imagem a fim de promover a inclusão dos territórios menos visíveis, inventariar recursos, valorizar paisagens, culturas e patrimónios locais e promover a cooperação entre pessoas, instituições e territórios, de aquém e além-fronteiras.

As fotografias premiadas e outras imagens que venham a ser selecionadas vão figurar num catálogo e numa Exposição a ter lugar em novembro na Guarda onde estão sedeadas as instalações do CEI – Centro de estudos Ibéricos.

A este concurso chegaram cerca de 1700 fotografias tendo sido reunidas pelo Júri, composto por Rui Jacinto, Lúcio Cunha, Valentín Cabero, Henrique Cayatte, Gonçalo Rosa da Silva, Susana Paiva, Jorge Pena, Santiago Santos e Victorino García.

Durante dois dias o júri selecionou 20 dessas fotografias que chegaram de Portugal, Espanha e Brasil, tendo em conta o seu valor estético, pertinência e adequação aos temas do Concurso.

Este concurso engloba 4 áreas, sendo a primeira dedicada à temática das Paisagens, biodiversidade e património cultural, uma outra dedicada aos Espaços Rurais, povoamento e processos migratórios, a terceira temática está relacionada com a Cidade e processos de urbanização e o quarto tema é dedicado à Cultura e sociedade: diversidade cultural e social. Há ainda espaço para se premiar o melhor portefólio, tendo o Júri selecionado o de Javier Arcenillas de Madrid.

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O vencedor do Tema 1 (Paisagens, biodiversidade e património cultural) foi Ary Attab Filho do Brasil com Menção Honrosa para fotografias de João Pedro Costa de Portugal e Asier Gogortza de Espanha.

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(Lençóis I)

No Tema 2 (Espaços Rurais, povoamento e processos migratórios) a vencedora foi a fotografia da espanhola Susana Girón com menção Honrosa para Ricardo Catarro de Portugal, Rocío Garrido Martín de Espanha e Nuno André Ferreira de Portugal.

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(Cañada Real)

A Terceira temática (Cidade e processos de urbanização) teve como vencedor António Alves Tedim de Portugal e Menções Honrosas para António da Costa de Portugal, Jonthan Carvajal da Colombia e Miguel Louro Costa de Portugal.

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(Metades)

O Tema 4 (Cultura e sociedade: diversidade cultural e social) teve um vencedor português, Tiago Lopes Fernández com menções honrosas para Arturo López Illana e José María Calonge, ambos de Espanha.

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(Rituais Maia #5)

As fotografias aqui colocadas foram retiradas do site do CEI que pode consultar em www.cei.pt, aproveite para conhecer as outras fotografias que mereceram destaque neste concurso.

 

 

O Balido na Serra é de ouro!

Ovelhas. Fofas cheias de lã e balidos que ecoam nas serras ao ritmo dos chocalhos que carregam, de passos marcados pelo pastor que as guia pelas encostas.

Ovelhas e cabras que não são apenas elementos do quadro pitoresco que forma a natureza animal da Serra da Estrela.

Estes animais são mais do que imagens bucólicas de turistas e balidos perdidos na Serra. São parte integrante da cultura e, direta ou indiretamente, marcam a história e tradições das gentes de cá, seja na gastronomia na arte ou no quotidiano das suas vidas, e são-no desde tempos imemoráveis.

Por cá andavam em rebanhos, contadas às centenas. Sustento das gentes. Seguiam em ritmo sazonal contribuindo para a mistura de culturas, saberes e sabores entre regiões deste tão pequeno, mas tão enorme, Portugal.

Quando o estio se instalava e o sol queimava, secando os pastos que alimentavam os rebanhos, os seus pastores rumavam serra acima em busca dos pastos verdejantes protegidos pelas temperaturas mais amenas e, assim, alimentavam os seus animais.

Com eles viajavam, igualmente, as suas culturas, linguajares, tradições e saberes, promovendo a uniformização entre os diferentes povos que calcorreavam os terrenos unindo as planícies a norte do rio Tejo, passando pela Serra da Gardunha até à Serra da Estrela.

Quando o frio começava a apertar na Serra os pastores faziam o caminho inverso, repetindo-se a mesma troca de saberes.

Esta é a base de uma riqueza tremenda na região em torno da transumância, com as populações a não deixarem esmorecer as tradições e celebrando estas trocas e apostando nelas como fator de atratividade turística, afinal temos os melhores pratos à base de cabrito. Temos produtos únicos como o Burel que tem sido reinventado graças ao esforço de alguns empresários da região que demonstram a versatilidade e potencialidades deste tecido ou os cobertores de papa.

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Há festas dedicadas à transumância que se destacam no panorama cultural da região da Serra da Estrela como a que ocorre em Fernão Joanes, freguesia do concelho da Guarda, no inicio do verão, com visitas pedestres pelos caminhos que os pastores percorriam e que servem de pretexto para visitarem a região e darem a conhecer as suas gentes e tradições e que incluía, este ano, um acampamento nas Txoças (cabanas onde dormiam os pastores).

Outra das festas maiores em torno da Transumância é a que se realiza em Alpedrinha no Fundão. A Festa dos Chocalhos decorre em meados de setembro e atrai milhares de pessoas a esta freguesia, transformando as ruas num enorme palco em festa onde os visitantes têm a oportunidade de conhecer os trejeitos e tradições locais com muita música e gastronomia à mistura.

As ovelhas e as cabras são, portanto, mais que simples animais ou fontes de alimento por estas bandas. São parte integrante da história destas gentes, existem em diversos aspetos das suas vidas e estão cá para ficar, pelo menos enquanto houver gente que, teimosamente, e ainda bem, insista no pastoreio. Quanto aos turistas, o nosso conselho vai para que fechem os olhos e se deixem levar pelo ritmo do chocalhar e dos cascos que percorrem a montanha.

Fui à Feira de Nelas provar Vinho!

Este fim-de-semana fui até Nelas. Tinha um motivo especial. Havia Feira!

Não uma Feira daquelas a que estamos habituados e que ocorrem quinzenalmente ou semanalmente. Não uma Feira com animações e muitas luzes e vendedores como a de S. Mateus em Viseu. Fui a Nelas a uma Feira dedicada ao Vinho, em concreto, ao vinho da Região Demarcada do Dão.

Sou apreciador de vinho – sublinhe-se o apreciador porque não sou muito conhecedor. Sou capaz de distinguir um bom vinho de um feito à “pressão” e vendido a granel, mas não me façam perguntas difíceis como: quais os taninos que sente? Ou quantas castas saboreia? Sei dizer se é encorpado e se é bom ou é mau, pelo menos ao meu paladar.

Fui então até Nelas de mente aberta e curiosidade desperta.

Já me tinham falado dos vinhos e conhecia um ou outro das muitas noticias acerca de prémios que têm vindo a arrecadar, cá e lá fora. Decidi provar por minha conta e risco e lá fui até Nelas.

Foi uma agradável surpresa o espaço situado no Largo do Município, em frente à Câmara Municipal.

Umas dezenas de tendas alinhadas com a centralidade das mesmas ocupada por vários produtores da região, uns mais conhecidos que outros. Logo à entrada adquiri o meu copo de balão e bolsa para o guardar e assim desocupar as mãos ao longo do meu périplo pelos stands.

Confesso que me apetecia apreciar todos os vinhos e ficar à conversa com alguns dos anfitriões, mas não consegui, provei alguns e vinhos houve acabaram nas “cuspideiras” outros não tive coragem de recusar de tão deliciosos que são.

Há alguns que me surpreenderam pela sua leveza outros pelo seu carácter, perfume e sabor intenso.

Fiquei a saber o nome de algumas castas e apreciei um Touriga Nacional maravilhoso e quando me dirigi à Praça da Alimentação tive a oportunidade de comer um conjunto de sandes (vitela, bacalhau e requeijão com doce de abóbora) com assinatura de um Chef da região que, harmonizado (aprendi este termo na Feira e, para quem não sabe, significa, basicamente, casar o vinho com o que comemos num equilíbrio de sabores) com um tinto que me fez as papilas gustativas baterem palminhas de contentes!

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Voltei à minha demanda pela Feira.

Eis que todas as luzes se apagam.

Num ecrã gigante surge um cronómetro em contagem decrescente.

Faltavam 5 minutos.

Eu sabia que havia um espetáculo previsto para essa noite, pensei que fosse uma espécie de concerto com gentes da terra, eis que o cronometro para e o vento começa a soar, no ecrã surgem imagens de vinhas e paisagens de Nelas, um vulto levanta-se do lado direito do palco (num cenário fantástico diga-se) e começa a entoar um poema, uma voz que reconheci à primeira palavra. Vítor de Sousa, recitava um poema acerca do Dão.

Prendeu-me de imediato a atenção.

Surgem bailarinos e mais atores em cena, contou-se uma história de amor entre melodias que, ainda hoje, ao final de 3 dias , continuam a tocar na minha cabeça.

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Um Musical que me espantou pelo enredo, som e coreografias e que terminou com uma surpreendente chuva de estrelas em jeito de fogo de artifício que maravilhou as centenas de pessoas presentes.

A noite terminou com mais uns stands e uma Wine Party onde serviam um cocktail de espumante, à descrição.

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Para casa trouxe umas garrafas de vinho para apreciar com alguns amigos e mostrar que há mais vinho em Portugal do que o Alentejano, do Douro ou o Verde.

Aliás, esta região começa a dar passos de gigante rumo ao reconhecimento da qualidade dos seus vinhos e isso é algo que muito me agrada! Trouxe conhecimento acerca de vinho, até fiquei a saber o nome de algumas castas como a Touriga Nacional, Jaen, Encruzado ou Alfrocheiro (nomes que ficam na memória).

Agora é só juntar um punhado de amigos, um prato de queijo da Serra da Estrela, outro de chouriça e outro de morcela, abrir umas garrafas que trouxe de Nelas e serei uma pessoa ainda mais feliz!

 

BFM

Maratona Fotográfica, preparar, apontar, focar, CLICK!

Vamos lá exercitar esse dedo indicador, os olhos e fazer uns bíceps porque há maratona fotográfica em Viseu!

Vem aí a época das vindimas e setembro é o mês do vinho e das uvas. Festas em torno da apanha da uva e nós gostamos muito disso, sendo que a região do Dão sabe celebrar as suas riquezas e nada melhor do que comemorar sob o olhar critico e artístico de quem gosta de captar o mundo por trás de uma lente fotográfica, para eles à uma Maratona em Viseu.

A Maratona Fotográfica arranca às 10h00 de sábado dia 19 de setembro e termina à 1h00 de dia 20. Uma verdadeira corrida para retratar o melhor do tema “Viseu cidade vinhateira”.

As inscrições estão abertas até dia 14 no balcão da FNAC, entidade parceira na iniciativa.

Para participar tem de ser maior de idade e só pode participar em nome individual.

Esta Maratona tem sete pontos de encontro para contagem do número de participantes (no máximo serão 100 e no mínimo 35). Em cada paragem será dado aos participantes um tema específico para que explorem fotograficamente.

É obrigatório que cada participante passe em seis dos sete pontos de encontro.

No entanto, não existe um percurso definido para os participantes, sendo esses pontos de encontro divulgados no início da Maratona (Ponto 1 será na FNAC de Viseu). Em cada ponto de encontro será fornecido um texto com a descrição do tema fotográfico a explorar que não estará, necessariamente, relacionado com a cidade de Viseu ou com o ponto de encontro.

Claro que este evento não podia passar à margem das Redes Sociais e por isso o Facebook do evento terá uma importância acrescida na Maratona. Cada participante deverá, em dois pontos obrigatórios para upload de imagens, escolher 3 das fotografias retiradas relativas à cidade e partilhá-las na página do Facebook criada para o evento.

Essa partilha será feita em cada ponto de upload, num total de 6 fotografias.

A que tiver mais “gosto” até às 13hoo do dia 20 de setembro será premiada.

Há 3 prémios a jogo, o primeiro de 2000€ em dinheiro, o segundo é um telemóvel Alcatel Idol 3 5,5 e o terceiro um Alcatel Onetouch watch BLK/RED.

O júri irá escolher a melhor fotografia com base na qualidade técnica, criatividade e consistência do conjunto.

Vamos lá então, apontar essa objetiva e disparar!

 

 

Muralhas que guardam segredos em Sortelha

Deixemo-nos levar pelos sons e pelos cheiros. Entremos num mundo de fantasia inspirado na história das gentes desta terra. Não tenha receio e abra o espírito.

Deslumbre-se porque este evento é mais do que uma Feira Medieval, é uma viagem pela história desta que é uma das mais belas aldeias de Portugal – Sortelha.

As Muralhas com História não se limitam, apenas, a ser uma Feira Medieval, é uma autentica viagem histórica através da literatura, procurando dar a conhecer, na edição deste ano, o quotidiano da Idade Média, numa perspectiva menos assombrada pelas trevas, através da sátira dos autos de Gil Vicente. Serão vários os episódios da vida medieval antes do Renascimento a serem representados um pouco por toda a Aldeia de Sortelha, naquilo que a organização chama de Autos da Muy Fermosa Sortelha.

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Haverá um mercado de época, tabernas, ofícios ao vivo, música ao vivo espetáculos surpreendentes e constantes teatralizações que prometem maravilhar os visitantes e fazê-los embarcar nesta viagem pelo passado.

Sortelha é local de lendas e histórias fantásticas.

A própria Aldeia convida à deambulação e ao deslumbramento.

De 18 a 20 de setembro deixe-se encantar em Sortelha!

Fica aqui uma mostra do que aconteceu na edição do ano passado sob a temática do Secretismo e Magia do Sagrado Feminino:

 

Fotografia: Alexandre Nobre

 

A Chocalhar é que se está bem!

Já é uma tradição. O ponto de encontro de amigos dos amigos e familiares dos familiares. São milhares os que acorrem a esta festa dos Chocalhos e marcam a data, religiosamente, nas suas agendas.

Os Chocalhos – Festival dos Caminhos da Transumância tem lugar todos os anos no terceiro fim-de-semana de setembro e este ano calha nos dias 18, 19 e 20 em Alpedrinha, no Fundão.

É já a 14ª edição de um Festival que passa as fronteiras do comum.

Aqui toda a aldeia de Alpedrinha é o palco do evento.

Há animação de rua com vários grupos locais e nacionais a percorrerem as artérias da terra, misturando-se com os visitantes numa amálgama de som e cor. Haverá atividades no Terreiro de Santo António que vão promover o património material e imaterial do universo da pastorícia da Beira Interior, com conversas, oficinas, apontamentos musicais, mostras de artesanato e produtos da terra.

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Quem visitar Alpedrinha, no Fundão, por estes dias poderá acompanhar um rebanho e juntar-se ao Pastor e sê-lo por um dia, por um dos caminhos da transumância, no final a recompensa é festa, animação de rua e deliciosos petiscos pelas diversas tasquinhas que marcam presença neste evento.

E é aqui, nas tasquinhas, que está um dos aspetos diferenciadores desta festa que mistura ovelhas e homens, música e boa comida.

Durante estes dias quem visitar Alpedrinha é convidado a entrar nas casas e experienciar a verdadeira hospitalidade Beirã.

Nestes dias todos são amigos e todos têm a oportunidade provar os produtos da região que cada um possui nas suas casas, transformando a aldeia numa enorme família de portas abertas por onde todos podem circular livremente experienciando a comunidade como um todo e sendo parte dela.

É o sitio ideal para “provar” a Serra porque, por aqui, a gastronomia vai muito além dos petiscos e dos pratos tradicionais. Aqui a gastronomia é um conjunto de fatores, sabores e saberes. Aqui não se degusta apenas. Apuram-se outros sentidos. O sentido de comunhão e partilha. Esta é a Serra que todos devem conhecer. Assim se saboreia o verdadeiro gosto da Serra da Estrela.

O resultado do esforço e do trabalho é aqui dado a provar. E quem prova, vive, gosta e volta no ano seguinte com mais amigos!

Todo o Festival dos Chocalhos é uma amálgama de gente e uma celebração ao que de genuíno existe na Serra.

Alpedrinha é famosa pelos seus embutidos em madeira, trabalhos em ferro, cestaria e loiça preta, com uma arquitetura magnifica, merecedora da nossa visita.

Desde tempos perdidos na memória que, com a aproximação do estio, os pastores desta região viam-se forçados a subir à Serra da Estrela com os seus rebanhos em busca de melhores pastos. Com a aproximação do Inverno, os pastores faziam o caminho inverso.

São estes caminhos as Rotas da Transumância, e por eles viajavam mais do que rebanhos e pastores, seguiam as suas culturas, memórias e tradições.

A Transumância é, portanto, o deslocamento sazonal de rebanhos para locais onde os pastos eram mais férteis.

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São estas celebrações que fazem com que a memória e  cultura passem de geração em geração.

No terceiro fim-de-semana de setembro os nossos caminhos cruzam-se com os da Transumância, rumo a Alpedrinha onde todos vamos Chocalhar!

 

 

CineEco, Cinema com consciência ambiental

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Tem-se assumido como um festival de referência e tem ganho cada vez maior projeção por este mundo fora.

Falo do CineEco que decorre todos os anos em Seia no mês de Outubro.

O CineEco – Festival Internacional de Cinema Ambiental da Serra da Estrela, é o único festival de cinema nacional dedicado à temática ambiental, no seu sentido mais abrangente.

O formato do certame assenta num conjunto de atividades desenvolvidas ao longo de uma semana, incluindo várias atividades que vão desde concertos a conferencias passando por workshops, exposições e, claro, filmes em competição e vários ciclos de cinema.

O CineEco oferece cinema de qualidade e cinematografias pouco conhecidas e alternativas em relação ao mercado tradicional, procurando cativar novos públicos, sensibilizando-os para o cinema, a sua história e estética.

Para a edição deste ano que decorrerá de 10 a 17 de outubro na Casa Municipal da Cultura de Seia, já foi apresentada a seleção oficial, este ano inspirada na Encíclica do Papa Francisco, divulgada pelo Vaticano em Junho passado, com o nome “Laudato Si”,  sobre o cuidado da Casa Comum”, um importante manifesto que coloca, pela primeira vez, a Igreja Católica no centro do debate ambientalista e climático antecipando, de certa forma, a discussão da Conferência Mundial sobre as Alterações Climáticas, a ter lugar em novembro.

O CineEco deste ano conta com 80 filmes, de 20 países, repartidos por Longas e Curtas Internacionais, Séries e Documentários de Televisão, Longas e Curtas da Lusofonia e Panorama Regional.

‘A Hora do Lobo’ de Jean-Jacques Annaud, (o realizador de ‘Sete Anos no Tibete’, ‘O Nome da Rosa’ e ‘O Urso’), tem uma antestreia no CineEco, como filme de abertura antes de chegar às salas comerciais na semana seguinte.

O filme é uma ficção de aventuras, com preocupações ambientalistas no que diz respeito à história sobre uma espécie em riscos de extinção que durante séculos, incluindo na Serra da Estrela, estabeleceu uma relação de mútuo respeito com o Homem.

‘A Hora do Lobo’ conta a história de um estudante chinês no tempo do maoismo, que é enviado para o interior da Mongólia para ensinar a ler os pastores e os aldeões locais e fica a saber que a população de lobos está ameaçada pelas decisões de um funcionário do governo central.

‘Muros e o Tigre’, da realizadora Sushma Kallam, um documentário de 83 minutos, passado na Índia, que analisa a necessidade de equilíbrio entre progresso económico, inclusão social, defesa do ambiente e como integrar industrialização e agricultura de forma sustentável é o Filme de Encerramento.

Nas longas-metragens da Competição Internacional, destacam-se filmes que advogam as várias ramificações da crise ambiental mundial, que são abordadas no texto do Papa Francisco: mudar o nosso estilo de vida (‘Todo o Tempo do Mundo’, de Suzanne Crocker, Canadá ou ‘Ao Contrário (com légumes)’, de Anne Closset, Bélgica e ‘Global Shopping Village’, de Ulli Gladik, Áustria/Croácia), substituição dos combustíveis fósseis (‘Gelo Negro’, de Maarten van Rouveroy van Nieuwaal, Holanda/Rússia), biodiversidade (‘Contenção’, de Peter Galison & Robb Moss, EUA), água, energia e resíduos, (‘Planetário’, de Guy Reid, Reino Unido/EUA e ‘Movimento’, de Ellard Vasen, Holanda), poluição do ar (MaldiMare, de Matteo Bastianelli, Itália), tecnologia (Procurando Desesperadamente uma Zona Limpa’, de Marc Khanne, França), catástrofes naturais provocadas pelas alterações climáticas (Paraíso, de Nash Ang, Filipinas).

Estes e outros temas com enfoque ambiental, farão parte da vasta programação do CineEco 2015, que este ano assinala a sua 21ª edição com um conjunto de atividades paralelas e uma parceria estratégica com a empresa Endesa.

 

 

Art Fest, a Festa da Arte

A Arte vai andar à solta pela Vila de Vouzela já nos dias 4 e 5 de setembro, com um programa muito recheado de espetáculos para todos os gostos, onde se articula, de forma coerente, eventos artísticos contemporâneos e expressões inovadoras de culturas rurais de Portugal, Espanha, França e Itália.

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O Festival de Arte de Vouzela arranca com a Inauguração da Exposição Multimédia: Re-Tramontana: Ecos e Olhares, na Biblioteca Municipal.

Às 21h30 do dia 4 o pano do Cinetratro João Ribeiro abre para a Peça de Teatro “A Queda, a partir do Limbo da companhia DEMO de Guimarães.

Às 23h30 a música invade o Festival com o concerto dos Lafões Electro Mix de S. Pedro do Sul no Palco 1 do Anfiteatro.

À meia noite é a vez de Arte Sonora: URKOR de Espanha, seguido, depois de meia hora, do concerto de Memoirs of a Secret Empire (Post-Rock) de Vouzela.

A noite termina com uma After-Hours com um frente a frente entre PUMA e TIGER no palco 2.

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O dia 5 amanhece com a Conferência “Património Rural e Inovação Cultural”, no Auditório 25 de Abril. Às 15h00 altura para uma Jam Session seguido de um set do Dj +Plus, às 17h00 sobem ao palco 1 os Papà Gahús vindos diretamente dos Pirinéus Franceses.

À noite, a partir das 21h30 é a vez do cinema tomar o seu espaço neste Festival com uma sessão ao Ar Livre do filme documentário “Diálogos entre o rural e o urbano”.

Às 23h00 tocam os Lavoisier seguidos dos Equations do Porto. A noite termina com uma After-Hours a cargo de Triciclo com João Mortágua de Espinho.

A edição deste ano do Vouzela Art Fest tem co-organização do Município de Vouzela e da Binaural/Nodar, passando o evento a fazer parte da programação integrada “Lafões Terra de Cultura”, a qual obteve recentemente o primeiro lugar a nível nacional nas candidaturas para apoios financeiros tripartidos da Direção Geral das Artes.

 

As Músicas que os Vinhos Dão, o Dão tem Musical!

Ir à Feira do Vinho do Dão é aproveitar para ficar a conhecer alguns dos melhores vinhos de Portugal e que, por acaso, são feitos na Região Demarcada do Dão.

Nelas assume-se como sendo o “coração” desta região, não apenas pela sua posição geográfica mas também porque é o concelho que mais vive este vinho, celebrando-o anualmente naquele que é o maior evento do género da região. Mas desenganem-se aqueles que julgam que a Feira do Vinho do Dão é indicada apenas para apreciadores de vinho e que, caso não o seja, irá perder o seu tempo. Pois, como disse, desenganem-se, nesta Feira onde o vinho do Dão, de facto é Rei, há muito para ver e fazer, porque se o Vinho é Rei a gastronomia é Rainha e a Música compõe o reino e em grande!

Ao contrário das Feiras a que estamos habituados, na Feira do Vinho do Dão, a música assume contornos de requinte, sendo a cereja no topo do bolo.

Aqui não há lugar para bandas populares nem bailaricos desenfreados, aqui a Música conta histórias e está elevada à categoria de espetáculo Musical.

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Surpreenderam na edição do ano passado e este ano decidiram ser ainda mais grandiosos, assim sendo, a Associação Contracanto de Lapa do Lobo , pelas mãos de António Leal e pelas palavras de Sandra Leal, reuniram um elenco de atores de luxo que conta com nomes como Vítor de Sousa, Sissi de Sousa, Rúben Madureira, Catarina Matos ou Márcia Borges e um conjunto de vozes que prometem maravilhar como as de Yola Dinis ou de Sofia de Castro, e produziram um espetáculo que promete mais novidades e mais histórias em torno do mundo do Vinho do Dão.

Durante as noites de 4, 5 e 6 de setembro o Taberneiro e as suas gentes irão fazer as delicias de todos os que visitarem a Feira do Vinho do Dão, independentemente da idade que tenham porque, ao contrário do que à partida possamos pensar, esta Feira é para todas as idades, porque o Mundo do Vinho do Dão vai além do próprio vinho.

O Musical “As músicas que os vinhos Dão” deste ano será, mais uma vez, uma viagem às Terras do Dão. Muita música, muita cor, muita dança e um fantástico elenco de vozes que se juntam na alegria de cantar o Dão.

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O Taberneiro vai abrir mais uma vez as portas da taberna e receber de coração cheio o povo cansado, mas orgulhoso da vindima.

Entre brindes, discussões, alegrias e confissões, a taberna este ano “guarda” as histórias de Amor: o Amor impossível, o Amor perdido, o Amor secreto, o Amor jovem e o Amor pelo Dão.

Quem assistir a “As músicas que os vinhos Dão” deste ano vai apaixonar-se por Rosinha, chorar com Carmencita, emocionar-se com Santiago e rir com os taberneiros.

Este ano, “As músicas que os vinhos Dão” revelam segredos, cantam dores e prometem a Felicidade!

Com a duração de cerca de 50 minutos, “As músicas que os vinhos Dão” pretende, uma vez mais, enaltecer o vinho, o Dão e, principalmente, “a verdadeira alma de uma região”!

Após cada espetáculo terá lugar uma Wine Party que levará todos madrugada dentro com muita música a cargo de alguns Dj’s, com cocktails especialmente desenhados para a ocasião. A entrada e a bebida é gratuita. Querem mais motivos para conhecer a verdadeira alma de uma região?