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A estrada que nos leva ao Túnel Verde das Beiras

Esta é a quarta parte da nossa viagem por aquelas que considero serem as melhores estradas para conduzir na região.

Liguemos o motor e preparemos a nossa alma, porque conduzir é, para muitos de nós, mais que um simples ato mecânico, é uma forma de estar na vida! Vamos para a estrada!

 

IV – A verde Alameda das Beiras

 

Que estrada? N323 : Viseu- Vila Nova de Paiva

Porquê? Mergulhar na floresta.

 

É frequente encontrar na Internet imagens de estradas aninhadas por entre árvores frondosas. A beleza de uma estrada ladeada por árvores é idílica e cria um cenário que, nós condutores convictos, achamos perfeito.

 

“Um domingo de manhã, uma estrada com poucos carros e árvores que brilham com os raios de sol são aquilo com que Deus Nosso Senhor me poderá brindar quando eu chegar ao merecido paraíso depois de tantos anos a trabalhar. Serei uma alma feliz.”

 

Um domingo de manhã, uma estrada com poucos carros e árvores que brilham com os raios de sol são aquilo com que Deus Nosso Senhor me poderá brindar quando eu chegar ao merecido paraíso depois de tantos anos a trabalhar. Serei uma alma feliz.

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A nossa região tem um trajeto assim.

Infelizmente não é um domingo de manhã com raios de sol que eu tenho para documentar mas sim uma cinzenta tarde de setembro. Mas, mesmo assim, valeu a pena.

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Entre Viseu e Vila Nova de Paiva a estrada N323 tem duas secções distintas: A primeira é um segmento sinuoso e de serra a que os condutores chamam “as curvinhas do Vouga”. É uma sucessão de subidas e descidas que configuram uma paisagem tipicamente beirã rodeando o rio Vouga. Não desfazendo, é uma estrada relativamente comum embora sempre agradável.

A vida começa verdadeiramente quando chegamos à aldeia de Nogueira. A partir daqui entramos num troço debaixo de árvores que fazem daqueles cerca de 10 km uma imensa alameda como há poucas em Portugal.

Não se trata apenas de haver árvores pelo caminho. Elas formam o teto verde de um túnel natural do qual só saímos já perto de Vila Nova de Paiva. Neste percurso a estrada tem boas retas, lombas e curvas abertas que nos permitem apreciar a condução e a explosão de natureza à nossa volta. Como dizia, o ideal é apreciar a estrada num dia de sol de outono ou de primavera. As cores são verdadeiramente intensas.

Pode ainda, se tiver tempo, parar no parque botânico “Arbustus do Demo” à chegada a Vila Nova de Paiva. Mais um hino às plantas.

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A estrada merecia estar mais cuidada. Com a utilização intensiva da N329 o trânsito e a manutenção desapareceram.

Mas passe por lá, conduza submerso em verde.

 

Handerson Aguiar Engrácio

 

Idanha Fora do Lugar

Fora do Lugar é um Festival, mas não é um Festival comum, assumindo-se como um dos fenómenos musicais mais originais do panorama nacional. O Fora do Lugar – Festival Internacional de Músicas Antigas é potenciado pelas infindáveis oportunidades que o território de Idanha-a-Nova oferece e este pequeno “andarilho” continua a surpreender com a sua programação onde cruza, de forma feliz, interpretes, reportórios e lugares.

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Este Festival começa a 27 de novembro e estende-se até dia 12 de dezembro e não vive apenas de música, sendo que a programação é transversal havendo espaço para a gastronomia, natureza, masterclasses, oficinas e ainda espaço para serviço educativo.

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Do programa deste Festival constam concertos no dia 27 de novembro de Noa Noa e Convidados, na Antiga Sé em Idanha-a-Velha, no dia 28 sobem ao palco do salão da Junta de Freguesia de Oledo os Caravana e no dia 4 de dezembro é a vez dos Quintana (Itália e República Checa) participarem neste Fora do Lugar em Monsanto. Em Aldeia Santa atua Emilio Villalba e Sara Marina de Espanha no dia 5 de dezembro. No dia 11 Pedro Jóia e Quarteto Arabesco invadem o Centro Cultural Raiana em Idanha-a-Nova. O dia 12 de dezembro irá acolher o concerto de Marco Beasley de Itália, na Antiga Sé em Idanha-a-Velha.

No dia 10 de dezembro terá lugar o Jantar Pobre pelas 20h00 em Idanha-a-Nova, com inscrições abertas até 72 horas antes.

As atividades relacionadas com Natureza arrancam no dia 27 de Novembro com a saída de campo, “A água e a vida do rio Ponsul, na Várzia” tendo como destinatários a comunidade escolar. Continuam no dia 28 com a saída de campo “Vamos ser geólogos e padeiros por um dia na Rota dos Fósseis de Pena Garcia. No dia 11 a saída de campo “A água e a vida do rio Ponsul, na Várzia” terá a sua segunda edição e no dia 12 de dezembro terá lugar a saída de campo “No Canhão Fluvial do Erges, em Segura, quem é quem no admirável mundo das plantas?”.

No que toca às Oficinas, no dia 28, em Oledo, na Casa do Povo, será dinamizada uma relacionada com Danças Tradicionais Europeias, no dia 5 de dezembro no Centro Cultural Raiano terá lugar a Oficina “O alaúde e a harpa na Itália no Século XVII, com Quintana. Ainda no dia 5, pelas 17h00 será levada a cabo a Oficina “Os Instrumentos perdidos do Al-Andaluz, também no Centro Cultural Raiano. Por fim, no dia 12, pelas 10h30, terá lugar a Oficina/Concerto Comentado, “As cordas entre nós” com Pedro Jóia.

Entrar em 2016 com tranquilidade

Tranquilidade e paz. Para muitos estes são os requisitos fundamentais para se entrar num novo ano além, claro, dos desejos de sempre, amor, dinheiro e sorte.

Entrar num novo ano é motivo de celebração, marca, para muitos, o inicio de novas premissas que, esperançosamente tentaremos cumprir nos restantes 365 dias que se seguem. É altura de esperança e força de vontade e nada melhor que dar o primeiro passo no primeiro ano com o pé direito e em boa companhia, num local tranquilo e confortável.

Se é daqueles que não gosta de passar esta data no meio da multidão ou a tentar chegar à festa da moda no meio do transito, ao frio ou à chuva e prefere fazê-lo num local calmo e charmoso, deixo-lhe aqui uma sugestão que, para além de garantir uns dias diferentes, uma noite de reveillon maravilhosa, assegura que não irá gastar uma fortuna, com a garantia de momentos muito bem passados. Que tal ir até Caldas de Felgueiras em Nelas? Perder-se pelas paisagens do Dão que, mesmo no inverno, são maravilhosas? Disfrutar de um ambiente familiar e confortável no Hotel da Pantanha? Asseguramos que serão dias maravilhosos onde a noite de passagem de ano será a “cereja no topo do bolo” ou o “Dão no copo”!

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O Hotel da Pantanha é um refúgio perto da instancia termal das Caldas da Felgueira. Um local cheio de charme onde a hospitalidade beirã reina e onde se sentirá em casa! Este Hotel preparou um pacote para a Passagem de Ano fantástico com preços muito aprazíveis! O melhor é que não precisa ser necessariamente para duas pessoas, pode trazer a família e ficar num apartamento T1 para quatro pessoas durante três dias, duas noites, por apenas 53,80 por pessoa, se preferir 3 noites e fazer uma escapadinha, o preço é de 80,25€! Se preferir uns dias românticos a dois, o Hotel Pantanha possui um pacote maravilhoso num apartamento T0, onde duas noites ficam por 73,50€ e três noites custam 110€ por pessoa.

O Hotel Pantanha é um espaço acolhedor que lhe mostra o melhor da região, seja nos seus vinhos, gastronomia, modo de receber ou espaços confortáveis que nos convidam ao relaxamento e aconchego. A garantia de um serviço acompanhado de um sorriso sincero é o que recebe neste Hotel, um local aonde, garantidamente, irá querer voltar!

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Os pacotes para a Passagem de Ano incluem um Porto de boas vindas, uma garrafa de champanhe, pequeno almoço buffet continental e check-out tardio, o que é ótimo porque permite que se durma um pouco mais!

Entre em 2016 tranquilamente e rodeado pela natureza. Aproveite os dias para passear pela região que na altura do Natal é deliciosa. Renda-se à gastronomia, prove os vinhos, disfrute do hotel e das suas ofertas e programas e viva, viva porque o próximo ano assim o exige!

Leia aqui o testemunho de quem visitou este hotel:

http://heartbeat.pt/o-hotel-que-nos-revela-o-dao/

 

Recortes da Alma Lusitana

Viajar é muito mais que conduzir. Na nossa região a viagem reveste-se de paisagens onde, por vezes, conduzir passa para um segundo plano e a envolvente assume o papel principal.

III – Portugal é mesmo Profundo

Que estrada?- N229-1 Penedono – Trancoso

Porquê?- Passeio pelo Portugal Autêntico.

 

A globalização apresta-se a condenar, em grande parte, um certo modo de viver europeu, rural, pacato, cultural e economicamente rico. Mesmo com a Revolução Industrial, a Europa manteve o seu charme campestre, a sua vida de pequenas comunidades lado a lado com as grandes cidades imperialistas e verdadeiras capitais do mundo. Neste espaço bucólico, convencionou-se, reside a verdadeira alma das nações, das civilizações. O mundo rural é o berço onde nascem os grandes impérios. Afinal de contas quem é que produzia a comida para os reis?

 

“O “Portugal Profundo” é uma outra maneira de dizer o Interior, onde está o verdadeiro sentimento português, aquele que tem a sua essência intacta face à corrupção urbana.”

 

Entre nós, chama-se a esta realidade o “Portugal Profundo” em Inglaterra por exemplo é apelidada de “Little England”. O “Portugal Profundo” é uma outra maneira de dizer o Interior, onde está o verdadeiro sentimento português, aquele que tem a sua essência intacta face à corrupção urbana. É no Portugal Profundo que nós somos realmente portugueses e de onde, de uma forma ou de outra, a esmagadora maioria de nós veio. Origens por vezes dissimuladas uma vez que este Portugal é também conotado com uma certa ignorância, atraso civilizacional e económico. Um erro.

 

“Viajar pelo meio rural é uma experiência quem nem sempre se sabe aproveitar.”

 

 

Viajar pelo meio rural é uma experiência quem nem sempre se sabe aproveitar. Vivemos numa sociedade em que se desvalorizam os locais “onde não se passa nada”. E como sabemos, nas nossas pequenas vilas e aldeias, frequentemente é esse o caso. Mas ali vive um conjunto de pessoas fascinante, num caminhar mais lento e olhos calmos pela luz da manhã. E um silêncio que vale a pena respirar.

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A estrada N229-1 entre as históricas e medievais localidades de Penedono e Trancoso é para saborear devagar. Ao longo de cerca de 15 km, percorremos uma casa da qual todos conhecemos os cantos. A paisagem é moldada pela agricultura e floresta: forragens, frutos secos, maçã, cereais de sequeiro, milho, hortícolas, pastorícia.

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Este é o Portugal Profundo das pequenas aldeias cujo café está virado para a estrada, das festas de verão com emigrantes e música popular. O Portugal dos jogos de futebol em campos pelados e do sabor a alheira com pão caseiro, comida enquanto se faz uma pausa na apanha da azeitona lá para dezembro ou janeiro. É o Portugal católico das Famel de barulho irritante, dos madeiros de Natal e dos napperons rendados na mesinha de cabeceira. Nem falta um pedaço de floresta queimada para nos lembrar as feridas do calor. Mas, ao mesmo tempo, um Portugal que se liga bem à modernidade da Internet, da Tv Cabo , dos Smartphones ou do Turismo Rural.

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O carro baila, elegantemente, entre lombas, descidas e subidas, numa estrada com piso de qualidade e trânsito limitado. Mas atenção ao tratores e animais! O bom do caminho, além do percurso seguro, está ao lado: sentimos que o mundo devia ser mais assim, calmo, organizado e previsível. São estas as nossas raízes com todos os defeitos e virtudes. Confesso que olho pouco para a estrada enquanto conduzo. Prefiro pensar que faço parte de uma pintura daquilo que é Portugal na sua essência e que faz qualquer emigrante soltar uma lágrima de saudade enquanto espera o Metro em Londres, ou chega a casa depois de um dia de trabalho vazio mas extenuante no Dubai. Portugal é mesmo Profundo.

Conheça outras viagens:

http://heartbeat.pt/para-o-diabo-com-o-medo/

http://heartbeat.pt/deus-escreve-certo-por-estradas-tortas/

 

Handerson Aguiar Engracio

Castelo Rodrigo, a aldeia dourada  

Subimos uma pequena colina porque lá no alto uma pepita de ouro nos espera.

A viagem é curta mas a espectativa é grande. “É muito bonita a aldeia, vais ver que te vai surpreender!”, eu sei que nas Beiras há aldeias, como um pouco por todo o país, bastante pitorescas e interessantes com cantos e recantos que nos deslumbram, “ah mas esta é especial!”, veremos então se é assim tão peculiar.

Chegados à porta de entrada da aldeia começo a perceber o que há ali de tão único.

Não são apenas as construções de pedra que dão personalidade à aldeia.

Entramos por uma pequena porta de estilo medieval, somos recebidos por ruelas estreitas, perfeitamente cuidadas e arrumadas como se de uma sala se tratasse. É primavera e há flores a adornar as fachadas das casas, formando um quadro onde nos queremos perder. À semelhança de muitas das aldeias destas Beiras, a tranquilidade impera e são poucos os habitantes que acolhem quem visita estas terras. Algumas pessoas de mais idade abeiram-se à porta das suas casas e levantam a mão a quem por aqui passa, com um sorriso humilde e sincero de quem agradece a visita e se orgulha da sua aldeia. E podem encher-se de vaidade.

Castelo Rodrigo, no alto da sua colina, vigia as terras lusas e é, verdadeiramente bonita.

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Caminhamos pelas ruas estreitas e poderíamos jurar estar a passear por um pequeno jardim.

Com cantos e recantos a cada esquina e muitos fantasmas a acompanhar os nossos passos, como só aldeias iguais a esta, com tamanha riqueza histórica podem ter. Por cá passaram reis, soldados e peregrinos. Heróis e traidores. Religiosos e donzelas. Contos e lendas, estórias da história que fazem estas gentes e povoam de misticismo as ruas, as casas e as pedras da aldeia de Castelo Rodrigo.

Caminhei tranquilamente pelas ruas de ocre luminoso. Observei as casas numa arquitetura delicadamente recuperada. Faz parte das Aldeias Históricas, e é um deslumbre. Subimos as ruas e vimos a igreja matriz, lá perto as ruínas de um palácio mandado construir por Cristóvão de Moura, que se dava bem com os Felipes do outro lado da fronteira e que findo o domínio espanhol também se findou o palácio às mãos do povo cujo coração, apesar de alguns tropeções no passado, já se tinha rendido à alma lusitana. Restam as ruínas desse edifício que enchem de um fantasmagórico fascínio esta parte da aldeia.

São belas estas ruínas e criam um ambiente único, quase teatral, que atrai os visitantes e os faz sonhar.

Há muito para ver nesta pequena aldeia amuralhada, parte do concelho de Figueira de Castelo Rodrigo, no distrito da Guarda. A miscelânea de estilos na construção dos seus edifícios, uns manuelinos, outros árabes, pincelados de estilo romano, marcas de quem por aqui passou, se instalou e seguiu pelas páginas da história que forjou a nação e que marcou as terras e as gentes da região da fronteira. Para ver, apreciar e incluir em sonhos, a igreja-matriz do séc. XIII e Igreja e Convento de Santa Maria de Aguiar e ainda o Poço-Cisterna.

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O dia passa rápido e ao anoitecer, quando o sol se aproxima do ocaso, a luz dourada dos seus raios ilumina de ouro a aldeia que resplandece como uma arca do tesouro.

A luz é uma presença constante na aldeia, e mesmo na hora do lusco-fusco ela nos presentei com uma Castelo Rodrigo nova, envolta de mistério. Nos pontos mais altos da aldeia temos vista até ao fim do mundo e o pôr do sol é um espetáculo oferecido pelos deuses.

 

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“Então o que te parece a aldeia? Tinha ou não tinha razão?”

Sei que estes povoados foram edificados no topo das colinas como estratégia de defesa, já que do alto se conseguiam mirar os inimigos, mas gosto de pensar que quem o fez, fê-lo porque no final do dia, quando o sol beija as montanhas ao longe, o tempo para apenas para nós que temos o privilégio de estar aqui, no alto deste pedaço de terra pintado de ouro.

Fotografia: www.aldeiashistoricasdeportugal.com