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5 Motivos para não visitar a Serra da Estrela

1 Outubro 2015

Ao longo destes 14 anos a viver na Guarda, tive a oportunidade de ficar a conhecer as belezas e as vicissitudes desta bela região.

Vim para cá estudar e por cá fiquei depois de cair de amores por um Beirão (consta que Minhotos e Beirões têm uma certa predisposição para se enamorarem. Resultado de um estudo, feito por mim, em que constatei que tenho, pelo menos, quatro casais amigos com essas características).

Não são raras as vezes em que os meus amigos e familiares do litoral me questionam pelo facto de termos preferido ficar a viver na região da Serra da Estrela em detrimento do Minho.

Ora, meus amigos minhotos não me interpretem mal, não se trata de uma questão de preferência. Adoro a minha região natal e para mim não há outra igual, tal como não há outra Serra da Estrela no mundo. Fiquei por cá porque uma parte de mim dizia que tinha de ficar e porque a vida assim o quis.

Há vantagens e desvantagens em se viver nesta região, assim como em qualquer outra deste país. Mas há coisas únicas na Serra da Estrela que a tornam tão especial e, mesmo assim, há quem não perceba porque eu gosto de aqui viver.

Decidi, para essas pessoas, fazer uma lista de motivos pelo qual, essas pessoas, NÃO devem visitar a Serra da Estrela:

 

1 – Se está de Dieta é melhor não vir até à Serra da Estrela.

Por cá as iguarias são, absolutamente, irresistíveis!

É impossível não comer um pouco de queijo da região com pão caseiro, acompanhado de umas rodelas de morcela ou de um outro qualquer enchido.

É muito difícil deixar passar o requeijão com doce de abóbora sem lhe meter a colher e os pratos de cabrito que por estes lados confecionam são um hino aos deuses da culinária.

E mais, as pessoas daqui têm uma mania terrível, algo que se acentua mais em pessoas de idade, insistindo, constantemente, para que comamos mais uma fatia de queijo, mais uma rodela de chouriça, mesmo que tenhamos acabado de almoçar.

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2 – Como é que consegues aguentar aquele frio?

Aqui o frio é, de facto, algo que se sente durante uma boa parte do ano. Se é daquelas pessoas que não aguenta temperaturas abaixo dos 10 graus é melhor não vir, a não ser que traga um casaco, peça que por estes lados faz parte da indumentária durante outono, inverno, primavera e em algumas noites de verão. O frio por aqui não é para os fracos, as temperaturas negativas são comuns durante o inverno, seja dia ou noite.

A verdade é que também sinto frio quando vou até ao norte! Por cá o frio é diferente, seco e, na minha opinião, mais suportável que o frio do inverno minhoto.

A vantagem de nos levantarmos pela manhã para enfrentarmos temperaturas negativas é que ficamos com as peles esticadas sem ser necessário o recurso a botox o que faz com que as gentes da Serra pareçam muito mais jovens!

Não é invulgar termos de tirar o gelo dos carros e conduzir com extra precaução por estradas cobertas de gelo ou neve, pode até ser uma grande arrelia, mas quando paramos para ver a paisagem à nossa volta, essas vicissitudes parecem apenas um mal menor.

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3- Se não gosta de caminhar e explorar o mundo à sua volta é melhor não vir visitar a Serra.

As paisagens são de tal modo deslumbrantes que não podem ser percorridas de carro.

O nosso corpo implora por explorar tudo minuciosamente, descobrindo cantos e recantos, podendo sentir o deslumbramento em tudo o que vemos.

A Serra existe para ser explorada e descoberta, passear de carro (a não ser que seja um Todo-o-terreno) não nos mostra a verdadeira beleza escondida nestas paisagens.

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4- Gosta da agitação e reboliço urbano?

Então não venha até cá.

Aqui reina um sentimento raro nos dias de hoje – tranquilidade.

Por cá não há longas filas de trânsito (a não ser em dias de feriado ou fins-de-semana no inverno, nos últimos quilómetros até à Torre no ponto mais alto da Serra, é que os visitantes ainda não perceberam que aquilo que está à volta da Torre é Serra da Estrela também).

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5- É um urbanoide convicto e assumido?

Deixe-se ficar pela grande cidade.

Na Serra da Estrela não há poluição.

Não há buzinadelas nem filas intermináveis de trânsito com condutores enraivecidos, apenas algumas ovelhas que nos podem atrasar 5 minutos no caminho. Aqui as pessoas fazem as coisas com calma.

Fazem longos almoços ao fim-de-semana em família. Conhecem os vizinhos e convivem com eles.

Aqui o ar respira-se sem restrições e podemos ouvir os pássaros cantar.

Em alguns locais não existe rede de telemóvel e, sabem que mais, não é preciso. Quem vem visitar a Serra deve aproveitar a natureza e deixar as tecnologias de lado, a não ser o GPS que nos ajudará nas nossas descobertas.

Estes são apenas algumas das razões que enuncio quando me questionam acerca da minha opção de vida.

 

A Serra tem estes “defeitos”, como a natureza selvagem, a simpatia e genuinidade das suas gentes, a beleza das suas aldeias, o frio tão especial e nos pequenos presentes que obtemos por cá viver, como acordar e abrir as janelas para uma manhã branca de neve ou encontrar o mundo envolto em cristais de gelo, a paisagem a perder de vista com um manto de nevoeiro ou sentarmo-nos numa mesa farta de sabores que só aqui encontramos.

Tânia Fernandes

Fotografia: Manuel Ferreira

2 Comentários

  1. CarlaGuiomar diz:

    Gostei muito da sua análise sobre a mística que envolve a região da Guarda e seus habitantes.

  2. João Pinto diz:

    Como o mundo é pequeno!…. também eu, minhoto, fui parar à Serra da Estrela. Já lá vão mais de 30 anos, quando fiz parte da Equipa Directiva de um complexo plano OTL, por todo esse país, onde constava o arranque do Parque de Apoio ao Campismo, no Covão da Ponte, no Rio Mondego, e divisória entre os Concelhos de Manteigas e Gouveia. O encanto foi tal, que nunca mais consegui alhear-me daquilo, indo lá, pelo menos 2 vezes no ano: Carnaval e Verão. Quis o destino que os meus filhos se rendessem também a tal encanto, acabando por um deles, comprar casas e terrenos na região, onde agora é mais fácil permanecer por mais e maiores períodos de tempo. É com emoção, que vejo as fotos da região: casais de Folgosinho e Capela de Asse D’Asse.

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