Com o pé na Linha, pela Rota dos Túneis

Alinhas no desafio?! Linha feita, desafio alinhado….

Um dia muito bem passado, em boa companhia. Roupa e calçado apropriado, água, lanternas na mochila, pernas para andar, uma boa dose de coragem (que bem foi precisa) e “bora lá” Pés na estrada, neste caso, na linha.

A rota dos túneis é um velho troço de linha de comboios que ligavam Porto a Paris. O trilho tem 17 km, linha esta que perfura na Natureza 20 vezes e suspensa no ar por 10 vezes!

Chegados a Barca D’Alva o primeiro passo foi encontrar o Sr. Amadeu, este amável Senhor disponibiliza-se a ajudar todos aqueles que se aventuram a fazer este trilho. Sendo o nosso ponto de partida La Fregeneda (Espanha) e o ponto de chegada Barca D’Alva (Portugal), o Sr. Amadeu levou-nos ao nosso ponto de partida, onde a aventura começou…

linha

“Puentes en mal estado” lia-se… começou bem… formigueiro na barriga… relembrar os vídeos vistos no “youtube”, mostrando as pontes vertiginosas, foi motivo para por em causa se íamos avante! Já sem carro, apenas pernas para andar, aqui vamos nós… em frente é o caminho!

Túnel nrº1… “-Este é o túnel mais comprido dizem eles??? Não me parece, pois vê-se a luz ao fundo do túnel” porque nem tudo o que parece é… este foi, realmente, o maior túnel. Pé ante pé, metro após metro, a escuridão começou a envolver-nos e, obrigatoriamente, tivemos de tirar as lanternas da mochila. Lanternas na mão. O ponto de luz, distante, difícil de alcançar, mas presente.

Claustrofobia é proibida aqui, nem uma pitada!

tunelpequeno

À saída do túnel, de novo no meio da vegetação, sinal de abandono pelo Homem e a Natureza a fazer o que tem a fazer (reconquistar o Seu espaço) … Sentir o ar fresco a entrar pelas narinas, a encher os pulmões e a refrescar todo o nosso corpo… Fechar os olhos e sentir… sentir apenas!

foto 4

Alguns metros à frente, lá chegámos à 1ª ponte… O anterior “pequeno formigueiro”, agora transformou-se num ENORME TREMOR no corpo todo… até os fios de cabelo tremiam (ou era o vento).

Se claustrofobia é proibida, então vertigens… Um pé de cada vez na ponte… Músculos contraídos, tudo a trabalhar, tudo a tremer e é agora que vamos às entranhas do nosso Ser buscar toda e mais alguma coragem necessária para seguir em frente… a um metro do fim da ponte, metemos “nova mudança” e aceleramos a fundo para, finalmente, colocar os pés em terra firme!

Sensação: ALÍVIO, no meio de risos, adrenalina ao rubro, orgulho, “ESTOU VIVA”… um mix de sensações… boas… Superado o “obstáculo”, o “desafio” de pôr à prova as medonhas vertigens… Uma mão amiga é sempre bem-vinda e ajuda nas adversidades, torna cada passo mais fácil de dar… Aconselho!

foto 2

Túnel após túnel, ponte após ponte, sempre seguindo a linha, com a certeza de que ela nos levaria ao ponto de chegada, foi feita a caminhada. Longa…Mas nem só de pontes e túneis é feito o trilho! Aliás, o mais belo, o mais magnífico era mesmo toda a Natureza que nos envolvia…

Uma dádiva poder estar rodeada de uma paisagem magnífica, mágica… sem palavras… muita Vida ao nosso redor… Tudo em perfeito equilíbrio.

foto 1

Caminhada cansativa?

Talvez, mas só para o corpo… a alma, essa, recarregadíssima de boas vibrações, ar puro, paisagens fantásticas, observadores fenomenais que nos acompanharam durante a caminhada (e aqui falo das majestosas aves, que não sofrem de vertigens, que nos sobrevoavam no seu esplendor, bem lá do alto) TUDO FANTÁSTICO.

foto 3

Não é possível escrever em papel tudo o que foi sentido, todo o rol de sensações fabulosas que se foram sentindo durante a caminhada… O melhor mesmo é ir, experimentar, sentir, viver… os medos vão connosco, mas chegados ao fim, comprovamos que nos conseguimos superar, somos mais corajosos do que pensamos e conseguimos mais do que imaginamos…

Valeu a pena??? Valeu… VALE SEMPRE!!!

 

Nadine Lopes

0 replies

Leave a Reply

Want to join the discussion?
Feel free to contribute!

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *